Reforma Trabalhista corta vagas e gera salários mais baixos na região



(Xandu Alves@xandualves10 | @xandualves10) Setores cruciais para o crescimento econômico do Vale do Paraíba perderam nível de emprego após a reforma, aprovada em novembro de 2017: indústria perdeu 964 empregos e a construção civil cortou 1.263 trabalhadores Aprovada para gerar emprego no país, a Reforma Trabalhista mostrou-se pouco eficiente na RMVale, uma das regiões mais industrializadas do estado. Indústria e construção civil perderam postos de trabalho, enquanto que apenas serviços e comércio registraram saldo positivo. Os empregos gerados exigem pouca qualificação e pagam salários mais baixos. De novembro de 2017 a maio de 2019, a região gerou 741 empregos, mas com a indústria perdendo 964 postos e a construção, cortando 1.263. O levantamento foi feito por OVALE com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia. Dos oito setores da economia avaliados pela pasta, apenas serviços e comércio registram saldo positivo de emprego no Vale após as mudanças na legislação trabalhista. Serviços teve saldo de 4.132 postos de trabalho e comércio, de 460. Segundo o economista Edson Trajano, pesquisador do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais), a redução salarial foi de 1,5% nos últimos 12 meses, subindo para 5,5% da renda média se considerada a inflação acumulada de 4%. "A reforma não resultou na geração de emprego e renda, nos setores industrializados. A situação de pouca produção enfraquece a capacidade de negociação do trabalhador, o que reduz os salários." Mesmo com salários mais baixos e menor exigência, serviços e comércio já começam a apresentar sinais de desgaste neste ano. Comércio foi o segmento que mais perdeu vagas de janeiro a maio de 2019, com corte de 2.886 vagas. Serviços perdeu 266 empregos em maio, segundo mês com retração este ano. O primeiro foi março, com -182. Nos cinco meses, contudo, o setor de serviços ainda mantém o saldo positivo: 1.600. Segundo Trajano, que é professor da Unitau (Universidade de Taubaté), o Vale depende da matriz industrial para alavancar o emprego. "Quando a atividade industrial vai bem no Vale, os outros setores são puxados para cima, a médio e longo prazos. Mas o contrário também ocorre, porque grande parte da renda está ligada à indústria", afirmou. São José e Taubaté perdem 970 postos de trabalho após mudança na legislação As duas cidades mais industrializadas do Vale do Paraíba --São José dos Campos e Taubaté-- foram as que mais perderam empregos na região desde a Reforma Trabalhista, com corte de 207 e 763 postos de trabalho desde novembro de 2017, segundo o Ministério da Economia. Nos dois municípios, o setor industrial foi o que mais demitiu trabalhadores nesse período. Em São José, após a reforma, a indústria acumula -1.720 empregos. Em Taubaté, o segmento cortou 941 vagas no mercado. Jacareí, Pindamonhangaba e Guaratinguetá registraram saldo positivo de emprego na indústria no mesmo período, com 356, 482 e 75 postos de trabalho.

02/07/2019