TURISMO DE SAÚDE ATRAI A ATENÇÃO PARA O CIRCUITO DAS ÁGUAS



O CRESCIMENTO DA BUSCA PELO TURISMO DE SAÚDE APONTA UMA TENDÊNCIA; SEGUNDO GESTOR PÚBLICO, ÁGUAS DE LINDOIA É UM DOS PRINCIPAIS DESTINOS TURÍSTICOS DESSE GÊNERO NO BRASIL Maior feira de turismo de saúde e turismo termal do mundo, a Termatalia 2018 apresentou bons números de crescimento para o ramo. Segundo a Organização Mundial de Turismo e o Fórum Econômico Mundial, essa vertente será a tendência dos próximos dez anos, com crescimento de aproximadamente 9% neste quinquênio. Dagnaldo de Araújo Silva, 52, gestor público, foi um dos palestrantes do evento. Segundo ele, o turismo de bem-estar, saúde e lazer está no DNA de Águas de Lindoia. “Nosso potencial é equiparado ao da Europa, inclusive em conhecimento”, disse. “É um vetor para impulsionar o turismo o ano todo, com foco em terceira idade.” “Sem dúvida, o fator mais relevante do encontro foi o de divulgar o nosso destino turístico ao mundo termal. Somos 35 países deste setor.” Araújo argumenta que a falta de planos de médio e longo prazos restringe o crescimento de Águas de Lindoia como referência mundial na área. “Falta capacitação e falta teimosia”, defende. “Tem que insistir, na Europa fazem assim. No Brasil, que é um país com potencial natural gigantesco, é preciso trabalhar essas questões. A demanda já existe, falta trabalhar o destino turístico o ano inteiro, não apenas em ocasiões pontuais.” “Eu pude observar, enquanto estive à frente do Balneário [Municipal de Águas de Lindoia], que, de 2008 até 2015, houve um crescimento. No ano de 2015, a cidade recebeu 1,2 milhão de turistas e o Balneário Municipal, 50 mil, no mesmo período. Isso começou com mais ou menos 20 mil e, em 2008 e 2009, foi crescendo.” Na Europa, de acordo com Araújo, há associações de cidades termais trabalhando com empresas de consultoria. “Portugal tem uma história muito rica no termalismo e tem crescido. Aqui no Brasil, esse projeto foi abandonado. O resgate pode demorar um pouco, mas nós temos história e potencial, falta trabalhar.” “Não precisa ir muito longe. A Argentina trabalha muito bem o potencial termal de lá. Até cidade pobre possui termalismo, de saúde e de relaxamento. O problema aqui é quando chega na parte política.” Araújo conta que na França e no Brasil –mais especificamente no Paraná–, a água está sendo empregada com efeito cosmético e para produzir outros subprodutos cosméticos com base na água terapêutica. Esse uso, porém, é relativamente recente. “Na Europa, estão muito à nossa frente. Quando implantávamos aqui, eles já estavam fazendo há muito tempo, mas o Brasil tem um potencial muito grande.” Para o especialista em gestão, a conscientização é o caminho. “O balneário é um patrimônio público tombado, conhecido nacional e internacionalmente. Falta mesmo é capacitar e montar um projeto de médio e longo prazo.” “Seja para busca de uma cura ou por estresse, pode ser o balneário ou um hotel que tenha spa. Não importa, o importante é que Águas de Lindoia é a capital termal do Brasil. Vivemos do termalismo, e o termalismo não obrigatoriamente precisa estar preso ao balneário.”

04/11/2018